Biologia e química no lago

Parâmetros da água em lagos ou aquários

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Ser um laguista ou aquarista, não se resume apenas em colocar água e peixes em um buraco no chão ou um recipiente de vidro. A arte destes hobbies vai bem além disso, e nessa série de artigos, veremos os principais parâmetros da água e como podem afetar a vida dos peixes e dos organismos vivos que nela habitam.

Os principais parâmetros da água devem ser conhecidos por quem possui ou trabalha com lagos ornamentais e aquários. Saber o que cada um significa e qual a sua função pode ser fundamental para a tomada de decisões sobre filtragem, desenvolvimento de plantas,  doenças nos peixes, entre outros.

Os 6 principais parâmetros da água são:

1. Oxigênio

Os organismos vivos utilizam o oxigênio para a respiração e produção de energia. No aquário esse oxigênio se dissolve na água através do contato com o ar, sendo utilizado então pelos peixes, bactérias nitrificantes (bactérias benéficas) e plantas. Quanto mais agitada a superfície da água, maior será a troca gasosa com o ar e maior será a quantidade de oxigênio que entrará na água. Outra forma de aumento da quantidade de oxigênio dissolvido na água é pela fotossíntese das plantas.

Os peixes absorvem o oxigênio pelas brânquias e se a quantidade de oxigênio não for suficiente sua saúde pode ser afetada causando até a morte do peixe. Já que o peixe consome oxigênio na respiração, a tendência é que o oxigênio diminua com o passar das horas. As bactérias nitrificantes também consomem muito oxigênio para “quebrar” a matéria orgânica acumulada na água do aquário. Todo esse consumo de oxigênio deve ser compensado por uma boa aeração do filtro ou por uma bomba dedicada a essa tarefa. Um aquário com 4mg/l de oxigênio dissolvido está dentro dos padrões mínimos aceitáveis para a maioria das espécies de peixes. O oxigênio dissolvido não é um fator que deve causar pânico ao aquarista ou laguista, pois dificilmente um aquário ou lago ornamental apresenta problemas por esse motivo, já que os filtros mais modernos cumprem muito bem o seu papel na oxigenação.

2. Dióxido de Carbono 

O Dióxido de Carbono (CO2) é liberado na água como subproduto da respiração de plantas (é, planta também respira) e peixes. É um parâmetro da água muito importante que deve ser observado principalmente em aquários plantados porque ele é fundamental para a fotossíntese das plantas. Em níveis muito altos, o Dióxido de Carbônico pode matar os peixes intoxicados e em níveis muito baixos as plantas submersas irão morrer por não conseguirem fazer a fotossíntese.

Aquaristas que não possuem plantas naturais em seus aquários devem apenas se preocupar em manter uma boa movimentação na superfície da água, pois de mesma forma que o oxigênio, o CO2 consegue sair da água quando em contato com o ar. O pH da água também é afetado pala quantidade de CO2 dissolvido na água e, quanto maior for essa quantidade menor será o pH.

3. Cloro 

A água encanada fornecida nas cidades possui cloro para eliminar possíveis bactérias deixando a água saudável para o consumo humano. Porém o Cloro no aquário ou lago é extremamente tóxico para os peixes e pode matar as bactérias nitrificantes, o que por sua vez, acaba destruindo o equilíbrio biológico.

Por isso, não é aconselhável adicionar água de torneira diretamente no aquário e sempre fazer o teste de Cloro para verificar se a água está realmente livre dele. Caso seja constatada a presença do Cloro na água, utilize produtos removedores de Cloro ou deixe a água descansando em um recipiente por 48h que o Cloro se dispersará da água naturalmente.

4. Amônia

Os compostos orgânicos como resto de comida, fezes e urina dos peixes, folhas ou peixes mortos, formam rapidamente a Amônia (NH3). Esse composto químico é terrivelmente tóxico aos peixes, níveis de 0,02 mg/l podem ser tóxicos aos peixes a longo prazo e níveis maiores do que 0,02mg/l poderão matar os peixes em pouco tempo, questão de horas. A Amônia pode causar nos peixes a destruição das brânquias, dificuldade na respiração, destruição da camada de muco protetora da pele, sangramentos internos e externos, doenças, natação irregular, e suicídio (quando o peixe pula para fora do lago).

O desejado é que a Amônia fique sempre ausente na água do seu lago, por isso utilize testes de Amônia frequentemente e caso o teste de valores alterados procede imediatamente uma troca parcial de água de pelo menos 50% e tente descobrir o que está ocasionando essa alta na Amônia.

5. Nitrito

As bactérias nitrificantes (Nitrosomonas spp.) presentes no filtro biológico do lago utilizam o oxigênio e convertem a Amônia para um composto bem menos tóxico, o Nitrito (NO2). Apesar de o Nitrito ser menos tóxico que a Amônia, ele ainda é perigoso na água do lago e também pode ocasionar a morte dos peixes. É normal observar um aumento no Nitrito (curtos períodos) em lagos novos e quando peixes são adicionados ao lago.  Níveis letais desse composto irão variar muito para cada espécie de peixes, mas em geral, níveis acima de 0,2mg/l podem ser mortais. O envenenamento por Nitrito tem, como um dos sintomas, problemas na respiração do peixe. Além do problema com os peixes, o Nitrito também servirá de alimento para as algas, que podem crescer em velocidades consideráveis quando o Nitrito está mais alto.

Sabe aquela alga que fica grudada nas pedras do seu lago? Para muitos ela é um tormento, mas saiba que ela é muito importante para consumir o nitrato da sua água, servindo inclusive como um filtro natural. Se essas algas forem do tipo “cabelo”, deixe de alimentar as carpas por alguns dias que elas irão dar conta de comer o excesso de formação de algas.

6. Nitrato

O Nitrato (NO3) é o resultado da conversão do Nitrito pelas bactérias benéficas do lago e é o produto final da filtragem biológica.  Da mesma forma que a Amônia é convertida pelas bactérias Nitrosomonas spp. em Nitrito, as bactérias Nitrobacterspp convertem o Nitrito em Nitrato.  O Nitrato é bem menos tóxico que a Amônia e o Nitrito, mesmo assim, em altas concentrações pode ser prejudicial aos peixes.  As maiorias dos peixes possuem uma tolerância ao Nitrato que varia de 50 a 250mg/l. Mas existem peixes que conseguem tolerar níveis ainda mais altos.

A saúde dos peixes é afetada de forma indireta pelo Nitrato.  Em altas concentrações desse composto, o peixe pode ficar estressado diminuindo assim a sua imunidade natural a doenças.  Com o tempo, a água do lago vai ficando com cada vez mais quantidade de Nitrato e esse composto não consegue sair da água por ação do filtro biológico. A forma mais fácil de diminuir a quantidade de Nitrato na água é com a troca parcial de água, a famosa TPA. Dessa forma, removendo uma parte da água e completando com água nova, o Nitrato restante no lago será diluído diminuindo assim a sua concentração. O carvão ativado não consegue remover o Nitrato ou outros íons na água do aquário. A Zeolita pode ser utilizada para esse fim.

Ainda existe um outro processo chamado de desnitrificação, onde o Nitrato é convertido em gás Nitrogênio por bactérias que existem em regiões sem oxigênio, chamadas de bactérias anaeróbias. Essas bactérias podem se formar em regiões mais profundas do Bioglass ou em camadas mais profundadas da areia de decoração no fundo do lago.

2 comentários

  1. Eu preciso de uma ajuda…
    Preenchi meu lago com água da torneira e to sem anti cloro pois na minha codade não tem. Ele e de 3000 L. Quanto tempo leva pra sair o cloro dessa quantidade de água,?
    Pois eu adicionei 20ml de anti cloro, que seria pra 200L…

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